Investimento em ESG é tendência nas empresas

Investidores vêm adicionando novos critérios para a escolha de fundos de investimento. Se antes o foco era a governança, atualmente, fatores sociais e ambientais também se apresentam como determinantes para a decisão sobre onde aplicar capital.

A pandemia de coronavírus e a devastação socioeconômica deixada em seu rastro também reforçaram a importância do componente social da ESG, que é o conjunto de políticas e práticas ambientais, sociais e de governança realizadas por empresas.

Uma pesquisa recente do JP Morgan mostrou que, em 2020, chegamos à marca de US$ 45 trilhões de investimentos no mundo realizados com algum nível de análise e integração ESG.

No Brasil, essa tendência também vem aumentando. Segundo dados da Anbima, Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, que representa as instituições do mercado de capitais brasileiro, os fundos de ações em sustentabilidade e governança acumularam mais de 543 milhões de reais em 2020.

Assim, investir segundo a prática dos critérios de Governança Social, Ambiental e Corporativa (ESG) passou a ser um fator de avaliação do valor de mercado de uma empresa, determinante para o lucro do acionista. Práticas que vão ao encontro à preservação do meio ambiente e condições de trabalho mais justas e igualitárias estão cada vez mais presentes no radar dos consumidores. Portanto, refletem na perspectiva do cliente final quanto à empresa ou indústria.

De acordo um estudo da Nielsen, de 2019, 42% dos consumidores brasileiros estão mudando seus hábitos de consumo para reduzir seu impacto no meio ambiente e 30% dos entrevistados estão atentos aos ingredientes que compõem os produtos.

Contudo, ainda que a tendência de consumidores cada vez mais interessados em produtos e serviços que tenha impacto positivo no meio ambiente e na sociedade brasileira, infelizmente o País ainda está atrasado no tema. Isso porque em outros países a prática já é uma exigência, dada a importância do tema, e muitas vezes considerada essencial para quem vai investir no negócio.

Os holofotes se firmaram para o ESG no ano passado, quando a maior empresa de investimentos do mundo, BlackRock, anunciou que não faria mais negócios com empresas que não atendessem aos critérios da prática, dando ainda mais peso a essa cruzada para aliar o discurso capitalista aos critérios ESG.

No Brasil, onde está localizado imensas riquezas naturais, dos três pilares, é sobre a área ambiental que a pressão internacional é feita com mais força, o que tem levado empresas brasileiras a estenderem as suas ações de sustentabilidade além, envolvendo toda a cadeia de fornecedores.

O crescimento do ESG entre investidores e empresas está relacionado a uma evolução em vários aspectos importantes nos negócios. Vários fatores de sustentabilidade corporativa e de mercado, historicamente vistos como não financeiros, agora são vistos como essenciais para a manutenção da atividade de forma duradoura, como preocupação com mudanças climáticas, disponibilidade de recursos hídricos, custos relacionados ao uso de derivados de petróleo e outros. Ainda a passos lentos, o mercado está descobrindo que ser sustentável também traz lucro.

Publicado originalmente em Tribuna Online.

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